Rio +20 – O capitalismo pintado de verde com um sorriso amarelo…

É isso…

2011: O primeiro ano da Nova Era

nova eraO ano de 2011, que está acabando, foi o primeiro ano daquilo que chamamos de futuro.

O Brasil, que sempre foi o “país do futuro” se converteu na sétima maior economia do mundo e se tornou um país do presente. Mesmo com todas as doenças institucionais que ainda persistem, começamos a combater o crime organizado dentro e fora dos palácios do poder. Foi o ano recorde no quesito “queda de ministros”, por exemplo.

O mundo perdeu Steve Jobs, o cara que pensou e produziu grande parte dos novos paradigmas de relacionamento homem-máquina-homem que temos hoje em dia. Pensou novas formas de estarmos conectados uns com os outros a qualquer hora e em qualquer lugar. Redes sociais como o Facebook estabeleceram noas dinâmicas de relacionamento social, do tipo tudo junto e ao mesmo tempo agora. Estamos cada vez mais aptos a saber o que acontece em qualquer lugar do mundo de forma instantânea e já não podemos mais dizer que não temos responsabilidade sobre isso. Máquinas começaram a falar com máquinas através de processos de automação em larga escala, que vão ser de muita importância para podermos ligar com as questões de eficiência energética, de trânsito e mobilidade, de teletrabalho, de conforto e de sustentabilidade. É como se tivéssemos construído a rede básica de sinapses desse corpo vivo chamado Terra. E nós nos convertemos, cada vez mais, em neurônios desse corpo vivo.

O clima se rebelou e choveu onde não chovia, houveram inundações enormes democraticamente espalhadas em países pobres e também nos ricos, secou onde chovia, teve ciclone onde antes não tinha e onde haviam ciclones, estes ficaram ainda mais violentos. A Natureza foi clara: “depois não digam que eu não avisei…”

As guerras ficaram ainda mais com cara de piada de mau gosto. A consciência de que a resolução de conflitos pela via armada é uma sandice está cada vez mais presente, de forma cada vez mais universal, em todos os povos, corações e mentes. Até a opressão dos regimes árabes foi contestada pelos povos. Os governos já não conseguem mais isolar e restringir completamente. Tem sempre alguém com um celular com câmera por perto para filmar e depois colocar na internet. E o fato inquestionável de que os povos têm direito à autodeterminação e o dever de respeitar a autodeterminação dos demais, por mais antagônicos que sejam, está cada vez mais presente.

A Europa e os EUA se estatelaram em uma crise econômica de grandes proporções. Não sei dos EUA, mas na Europa, já se começa a perceber que essa crise não é só econômica, mas é também o prenúncio de uma nova era na qual as condicionantes energéticas, de escala de consumo, de consciência na utilização dos recursos naturais e de respeito às necessidades físicas e sociais das pessoas começam a se constituir em fatores condicionantes das decisões governamentais, empresariais e pessoais. Afinal, de nada vai adiantar um governo sem povo, uma empresa sem mercado ou uma vida sem futuro.

E para concluir, 2011 foi o ano em que se tornou claro para todo mundo que a Terra, essa espaçonave em que hoje habitamos, não é uma herança que recebemos de nossos pais, mas sim um recurso muito limitado, que estamos tomando emprestado de nossos filhos e das gerações futuras.

Feliz Nova Era para todos vocês…

Marrey Peres Jr.

 

Bruna Surfistinha

Ontem, 11 de dezembro, assisti ao filme Bruna Surfistinha, na telinha (canal por assinatura). No mês passado, aqui mesmo neste espaço, escrevi sobre a obra de Almodóvar, A Pele que Habito, que havia assistido na telona. É impossível não comparar.

Em Almodóvar, as cenas de sexo estão plenamente integradas com a trama do filme; tudo flui naturalmente. Em Bruna Surfistinha, são as cenas sexuais que justificam o filme. A Pele que Habito é uma obra de arte; Bruna Surfistinha é banalização sexual, ou pornografia disfarçada.

Mas há dois pontos importantes que se destacam no filme. Um, é que a nossa sociedade continua machista mais do que nunca. Outro, é que o mundo virtual é virtualmente nitroglicerina pura.

No começo do filme, um colega de escola de Raquel (Bruna), caracterizado pelo diretor como um “filhinho de papai” exibicionista, coloca na rede social fotos dela fazendo sexo oral com ele. No dia seguinte, ela sequer conseguiu ficar na sala de aula. Até as meninas debochavam de Raquel. O engraçado, é que o menino era visto como um herói e não como o cafajeste que era, inclusive pelas colegas. Para mim, que vivi e comunguei com o movimento de emancipação da mulher, é triste demais saber que essas cenas representam o perigo de uma volta ao passado. Na década de 1970, devido ao movimento feminista, os prostíbulos fecharam suas portas; hoje, a indústria do sexo voltou com tudo. Isso é sintomático. No mundo, avançamos tecnologicamente, mas perdemos muito em humanidade.

Acho que nós, os mais velhos, falhamos com os nossos jovens. Não passamos a eles o sentimento de uma conquista social, nem a da mulher e nem a da liberdade política.

Nunca é tarde lembrar, que na minha pequenina São Simão, no início dos anos 1960, uma mulher passou a ser chamada de viuvinha, não só pelo fato de ter perdido o marido, mas por ter se tornado uma presa potencial para os machões de então. Tem o caso também de uma jovem separada em uma época que nem divórcio existia; a pressão social era tanta que a moça nem saía de casa. Além disso, ficou estigmatizada, principalmente pelas mulheres, pelo simples fato de ter se separado do marido. Nem era tratada pelo nome; as pessoas se referiam a ela dizendo: “a separada” ou “a desquitada”. É sempre bom lembrar que as mulheres somente conquistaram o direito ao voto nos anos 1930. Hoje temos uma Presidente da República.

Quando vejo o jovem personagem do filme Bruna Surfistinha ser enaltecido pela sua atitude de cafajeste, confesso, até por recorrência, que fico com um pouco de medo dos imbecis que ainda cultuam a ideia de mulher-objeto. Mas logo passa; não por eles, mas por que acredito nas mulheres.

A farsa das elites

A lei antiálcool, que proíbe no Estado de São Paulo a venda e o consumo de bebidas alcoólicas  para menores de 18 anos, entrou em vigor neste final de semana. No mundo dos adultos, essa regulamentação é quase que unanimidade nacional. Nela está incorporada a tese de que o jovem de hoje não será um alcoólatra amanhã. Certo? Não! Errado, pois, por detrás da regulamentação de uma saudável ideia, existe uma perversa manipulação de gente poderosa.

A rigor, o cerne da questão está na propaganda de bebidas. É essa propaganda, dirigida principalmente aos jovens, que conversa com o inconsciente deles associando, por exemplo, a conquista de belas mulheres ao consumo de cerveja. Ou então, para as mulheres, a ideia de que a bebida é sinônimo de liberdade. No futebol, essa indústria está fazendo uma devassa; até na Copa do Mundo ela vai estar. Craques, sem o menor escrúpulo, ganham muito dinheiro para promover o vício de uma multidão de brasileiros. Até o técnico da seleção brasileira serviu de garoto propaganda de uma cervejaria.

Há dois anos, um pouco mais ou um pouco menos, o Congresso Nacional não teve a coragem de proibir a propaganda de bebidas alcoólicas tal como a proibição da de cigarros. O projeto de lei não passou. O lobby foi fortíssimo. E parlamentar morre de medo da Rede Globo. O jogo foi pesado; a gente via as emissoras de televisão, através de sua associação, exibir anúncios institucionais dizendo que uma lei no Congresso estava propondo o cerceamento da liberdade de expressão. Era mentira. Mas essa mentira difundida por eles nunca foi desmentida publicamente. Pior, os telejornais fabricavam pautas que induziam a perpetuação dessa mentira. Foi um conluio entre as emissoras de televisão, agências de publicidade e a indústria de bebidas. Todos só pensavam no lucro; eles venceram, por enquanto.

Mas a gente não pode se dispersar, é necessário continuar lutando pela proibição de propaganda e merchandising de bebidas, de medicamentos, de produtos infantis e outros tantos nocivos à dignidade humana. Afinal, a Internet é a nossa grande aliada.

Almodóvar é mais do que Pedro, é gênio!

O paulistano ainda não descobriu o quanto é gostoso passar um final de semana prolongado em São Paulo. Melhor ainda se você estiver acompanhado de Pedro Almodóvar, na telona. Ir ao cinema é um ritual. Escolher uma sala de exibição digna de Almodóvar é elementar. Assistir ao filme A Pele Que Habito é um privilégio.

O bom mesmo é chegar cedo. Dez minutos antes do início da sessão já estava sentadinho em minha poltrona, sem celular e sem pipoca. Na minha frente uma imensa tela branca. Logo percebi que não era só uma tela, era uma obra de arte como aquela de Portinari, cheia de cabecinhas. Olhei bem pra ela e comecei a enxergar os rostos de Glauber, Meireles, Carla, Nelson, Coutinho, Tendler, Fellini, Bergman e tantos outros que não pude mais reconhecer, pois as luzes começaram a se apagar.

Logo no começo do filme percebi que Almodóvar, como sempre, ia fazer a gente transitar  entre a tragédia e o humor como num toque de mágica. A trama era envolvente ao extremo. Vera e Vicente são dois personagens fundamentais, intrigantes. Gozado, estou tentando falar um pouco deles, mas não consigo. Sinto que Almodóvar não deixa. Também não vai dar mais tempo, o filme está acabando. Estou lendo os créditos, eles ajudam a gente perceber a grandiosidade de uma obra de arte.

Saí do cinema, tomei um cafezinho, mas não consegui falar de Vera e Vicente; nem daquele personagem médico que até hoje tem a cara de Zorro. Já no carro, voltando pra casa, ouço alguém cantar As Rosas Não Falam, de Cartola. Engraçado, mas o rádio estava desligado. Acho que fiquei louco mesmo. Isso só pode ser coisa desse espanhol maluco que fica fazendo a cabeça da gente. Em seguida, ainda com aquela sensação de sufoco, resolvi abrir o vidro do carro e, mais aliviado, simplesmente, descobri que eram as ruas de São Paulo que exalavam cultura. Aí então me deixei ser possuído por essa magia maravilhosa que a gente chama de cinema.

Face à crise: quatro princípios e quatro virtudes

(Artigo de autoria de Leonardo Boff) Meu sentimento do mundo me diz que quatro princípios e quatro virtudes serão capazes de garantir um futuro bom para a Terra e à vida. Aqui apenas os enuncio sem poder aprofundá-los, coisa que fiz em várias publicações nos últimos anos.

A frase de Einstein goza de plena atualidade: “o pensamento que criou a crise não pode ser o mesmo que vai superá-la”. É tarde demais para fazer só reformas. Estas não mudam o pensamento. Precisamos partir de outro, fundado em princípios e valores que possam sustentar um novo ensaio civilizatório. Ou então temos que aceitar um caminho que nos leva a um precipício. Os dinossauros já o percorreram.

Meu sentimento do mundo me diz que quatro princípios e quatro virtudes serão capazes de garantir um futuro bom para a Terra e à vida. Aqui apenas os enuncio sem poder aprofundá-los, coisa que fiz em várias publicações nos últimos anos.

O primeiro é o cuidado. É uma relação de não agressão e de amor à Terra e a qualquer outro ser. O cuidado se opõe à dominação que caracterizou o velho paradigma. O cuidado regenera as feridas passadas e evita as futuras. Ele retarda a força irrefreável da entropia e permite que tudo possa viver e perdurar mais. Para os orientais o equivalente ao cuidado é a compaixão; por ela nunca se deixa o outro que sofre abandonado, mas se caminha, se solidariza e se alegra com ele.

O segundo é o respeito. Cada ser possui um valor intrínseco, independetemente de seu uso humano. Expressa alguma potencialidade do universo, tem algo a nos revelar e merece exisitir e viver. O respeito reconhece e acolhe o outro como outro e se propõe a conviver pacificamente com ele. Ético é respeitar ilimitadamene tudo o que existe e vive.

O terceiro é a responsabilidade universal. Por ela, o ser humano e a sociedade se dão conta das consequências benéficas ou funestas de suas ações. Ambos precisam cuidar da qualidade das relações com os outros e com a natureza para que não seja hostil mas amigável à vida. Com os meios de destruição já construidos, a humanidade pode, por falta de responsabilidade, se autoeliminar e danificar a biosfera.

O quarto princípio é a cooperação incondicional. A lei universal da evolução não é a competição com a vitória do mais forte mas a interdependência de todos com todos. Todos cooperam entre si para coevoluir e para assegurar a biodiversidade. Foi pela cooperação de uns com os outros que nossos ancestrais se tornaram humanos. O mercado globalizado se rege pela mais rígida competição, sem espaço para a cooperação. Por isso, campeiam o individualismo e o egoismo que subjazem à crise atual e que impediram até agora qualquer consenso possível face às mudanças climáticas.

Os quatro princípios devem vir acolitados por quatro virtudes, imprescindíveis para a consolidação da nova ordem.

A primeira é a hospitalidade, virtude primacial, segundo Kant, para a república mundial. Todos tem o direito de serem acolhidos o que correspode ao dever de acolher os outros. Esta virtude será fundamental face ao fluxo dos povos e aos milhões de refugiados climáticos que surgirão nos próximos anos. Não deve haver, como há, extra-comunitários.

A segunda é a convivência com os diferentes. A globalização do experimento homem não anula as diferenças culturais com as quais devemos aprender a conviver, a trocar, a nos complementar e a nos enriquecer com os intercâmbios mútuos.

A terceira é a tolerância. Nem todos os valores e costumes culturais são convergentes e de fácil aceitação. Dai impõe-se a tolerância ativa de reconhecer o direito do outro de existir como diferente e garantir-lhe sua plena expressão.

A quarta é a comensalidade. Todos os seres humanos devem ter acesso solidário e suficiente aos meios de vida e à seguridade alimentar. Devem poder sentir-se membros da mesma família que comem e bebem juntos. Mais que a nutrição necessária, trata-se de um rito de confraternização.

Todos os esforços serão em vão se a Rio+20 de 2012 se limitar à discussão apenas de medidas práticas para mitigar o aquecimento global, sem discutir outros princípios e valores que podem gerar um consenso mínimo entre todos e assim conferir sustentabilidade à nossa civilização. Caso contrário, a crise continuará sua corrosão até se transformar numa tragédia. Temos meios e ciência para isso. Só nos faltam vontade e amor à vida, à nossa, e a de nossos filhos e netos. Que o Espírito que preside à história, não nos falte.

(Nota Ato Livre: Este artigo de autoria de Leonardo Boff foi publicado em www.cartamaior.com.br em 22/07/2011).

Regressividade concentra renda

Pelo menos os iniciados nesta temática sabem que o sistema tributário brasileiro é excessivamente regressivo. Isso significa dizer que, conforme levantamento do IPEA de 2008/2009, a carga tributária indireta (impostos embutidos nos preços dos produtos) atinge 28% da renda total dos 10% de famílias mais pobres e apenas 10% da renda dos mais ricos. É necessário reverter esse processo. Os parlamentares sabem disso. Sem pressão social não há vontade política.

Previdência Social distribui renda

O INSS é o maior fundo social do mundo. Isso foi dito por um dos palestrantes do seminário Progressividade da Tributação e Desoneração da Folha de Pagamento, realizado em 24 de agosto, em São Paulo, pelo SINDIFISCO, IPEA e DIEESE. São quase 25 milhões de benefícios distribuídos mensalmente; a maioria deles é de um salário mínimo. Conforme dito no Projeto Editorial do ATO LIVRE, isso comprova que é possível incluir todos sem excluir ninguém.

O fenômeno do “esquecimento global”

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Em 1973 foi fundado em São Paulo, mais precisamente na Praça da República, o MAPE – Movimento Arte e Pensamento Ecológico. Idealizado e fundado por um artista plástico espanhol (catalão) radicado em São Paulo, Emílio Miguel Abellá, o MAPE foi descrito em um estudo do Sebrae de 2007 da seguinte forma:
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“O Movimento Arte e Pensamento Ecológico (Mape) surgiu em São Paulo, em 1973, formado por artistas plásticos, escritores e jornalistas vinculados aos movimentos contra-culturais e preocupados com a poluição urbana. O Mape se apropriou de estratégias expressivas e simbólicas dos novos movimentos sociais europeus e recorreu especialmente à linguagem artística como forma de expressão, organizando vernissages, happenings literários e atos lúdicos. O perfil de seus membros, sem expertise técnica na área, fez com que o Mape se mantivesse distante dos cargos públicos ambientais e se voltasse mais intensamente para a sociedade civil, inclusive para a mobilização em prol da Redemocratização.”
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Fizemos parte do MAPE e do movimento ecologista, principalmente na década de 80. Naquela época, já discutíamos com um interesse enorme e já ligado à nossa própria sobrevivência, temas como:
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– A degradação da camada de ozone e o aumento da incidência de radiações solares sobre a Terra, possibilitando o aumento da incidência de tipos de câncer de pele, bem como outros males…
– O aumento da concentração de gases formadores do efeito estufa, principalmente o CO2, que causaria um aumento insuportável das temperaturas na Terra…
– Os gastos insanos com armamentos e máquinas de guerra, nas diversas nações da Terra, consumindo recursos materiais, financeiros e humanos que poderiam, se bem aplicados, erradicar a malária da face da Terra em apenas um ano (só para citar um exemplo…)…
– As mudanças necessárias na mentalidade das pessoas e na economia para que pudéssemos fazer frente à nova complexidade que o mundo enfrenta nos dias de hoje…
– O combate ao autoritarismo e aos preconceitos, como forma de iniciar uma nova era de evolução da humanidade…
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Éramos estudantes, escritores, artistas, poetas, intelectuais e trabalhadores que não se contentavam nem com o regime autoritário que governava a maioria dos países da América Latina, naquela época, nem com os evidentes descaminhos que a humanidade como um todo tomava, na utilização dos recursos não renováveis do planeta.
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Naquela época,a sociedade brasileira ( e seus porta-vozes na Veja, Isto É, Folha, Estadão, Rede Globo, etc…) tratavam a gente como um quixotesco bando de artistas e anarquistas que queriam colocar um freio na luta que o Brasil deveria empreender para ser promovido de quarto para primeiro mundo… Parecia que éramos um bando de hippies chapados que tinham retornado para casa a pé, vindos de Woodstock…
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Há pouco tempo atrás eu vi uma propaganda na TV a cabo, onde uma pessoa sai de casa para trabalhar e quando volta a sua casa está tão pequena que ele não consegue mais entrar nela. O pobre executivo fica sentado desolado, do lado de fora do seu prédio de apartamentos… Daí a propaganda corta e mostra um urso polar branco ilhado, no meio do oceano, em cima de um minúsculo bloco flutuante de gelo… Corte novamente e aparece o fatal slogan final, que é algo como: “quando você perceber o aquecimento global, vai ser tarde demais…”.
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Não quero apenas pisotear e ficar enchendo com expressões do tipo “a gente avisou”. Muito pelo contrário, o que sempre se quis e continua na pauta de toda pessoa com bom senso e memória neste mundo é que:
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– Nós ainda precisamos mostrar às pessoas que se o lucro continuar sendo o único parâmetro de sucesso nossos filhos e netos vão morrer de calor e de desidratação,independentemente de sua classe econômica… esse armagedon construído pela raça humana é a primeira coisa realmente democratizada, em termos globais, que foi criada até hoje…
– Que não é possível combater os problemas ambientais e climáticos, sem uma conscientização de todos os seres humanos e sem a ação de cada pessoa na limpeza do ar, das cidades, campos e oceanos…
– Que não podemos simplesmente dar as costas e esperar que os outros façam por nós…
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Essas questões são presentes para a humanidade já desde “meados do século passado”!!!
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É por essas e outras que eu entendo que o principal problema da humanidade hoje não é o fenômeno do aquecimento global, mas uma de suas causas raiz: O fenômeno do “esquecimento global”!
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Abraços esperançosos…
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Marrey Peres Jr.

Nosso projeto editorial

 

Projeto Editorial ATO LIVRE – Inverno de 2011

 

Libertário de nascença, o ATO LIVRE, um fanzine mimeografado, idealizado e editado por Marrey Peres, circulou pela primeira vez em junho de 1980. Naquela época reconhecia-se como um jornal aperiódico, pois saía quando a gente tinha dinheiro e quando as condições políticas e de segurança assim o permitiam. Teve a sua única edição impressa em abril de 1986; nesta, em editorial, falava-se do exercício da solidariedade como forma de luta pela autonomia, pela liberdade e pelo direito que a gente tinha de dizer tudo o que pensava (naquela época estávamos saindo de uma ditadura militar). E mais, o editorial fazia clara opção à Sociedade Alternativa, ou uma alternativa real à sociedade que lá estava.

Ainda naquela edição de abril de 1986, o ATO LIVRE publicou nas suas páginas centrais um artigo denominado Adeus à Revolução, escrito em 1985 por  Tomas Ibanez, professor da Universidade Independente de Barcelona, Espanha. Entre vários tópicos de reflexão destacava-se: “Os libertários, e com eles milhões de pessoas, sonham mais ou menos com uma mutação social que desemboque numa sociedade radicalmente diferente daquela que conhecemos. Este sonho constitui, com efeito, um elemento do imaginário social do tempo recente, no qual se considera que as formas sociais são formas sócio-históricas, isto é, formas relativas e que é possível agir sobre elas para modificá-las voluntariamente. Desejar ativamente viver em um outro lugar, em oposição ao social-instituído que conhecemos, constitui certamente o imperativo de toda ética. Não é então o desejo de revolução que está sendo colocado em pauta. Ao contrário, o desejo de revolução constitui um elemento fundamental de todo pensamento crítico e é parte indispensável da utopia libertária”.

Destaca-se ainda que naquela edição histórica do ATO LIVRE, ficou claramente delineado o rumo editorial do então fanzine libertário. A publicação difundia a luta por uma  transformação social fundamentada no binômio: desenvolvimento sustentável e cultura de paz.

Depois de 25 anos muita coisa rolou nesse mundo afora: o muro de Berlim caiu, a União Soviética implodiu, os Estados Unidos e seus camaradas continuam exportando violência e, o mais grave, o planeta sinalizou concretamente que pode ser dizimado pela irresponsabilidade das elites que dominam o mundo contemporâneo.

Por outro lado, o mundo conheceu uma revolução tecnológica que veio para ficar. Foi no bojo dela que em 2010 o ATO LIVRE voltou eletronicamente com o mesmo ideal libertário, sintetizado no lema: por uma vida mais simples e mais justa.  Isso significa dizer que é possível consumir sem ser consumista e incluir todos sem excluir ninguém.

É como catalisador de informações que convergem a este ideal libertário que o ATO LIVRE se coloca como instrumento de comunicação. Para isso é necessário fazer um veículo apartidário, sem vinculação religiosa, sem linguagem panfletária e desprovido de qualquer tipo de preconceito.

A linha editorial continua rigorosamente a mesma, ou seja, a gente acredita que é possível implementar uma política econômica que tenha como princípio o desenvolvimento sustentável, de um lado e, de outro, uma sociedade organizada tendo como pano de fundo a cultura de paz.

De forma convergente com essa linha editorial, o ATO LIVRE vai comentar notícias ou fatos que estão repercutindo na sociedade. Vai também ter as suas colunas (colunistas permanentes). Os editores escreverão regularmente as suas Cartas; os leitores também. Articulistas serão convidados a opinarem através de artigos sobre temas atuais. O ATO LIVRE terá a sua biblioteca de artigos clássicos convergentes com a linha editorial do veículo. Entrevistas, fóruns e links interessantes também são partes deste projeto editorial.

A Sociedade Alternativa continua sendo o sonho; o ATO LIVRE a realidade de que é possível construir o sonho todos os dias.

São Paulo, 01 de julho de 2011.

 

OS EDITORES